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Posts tagged ‘Jerry Yang’

5
Dez

Yahoo Arrependida

A Yahoo um dos maiores por­tais do mundo mostra-se arrepen­dida por não ter ven­dido as suas acções a Microsoft.

As vezes a emoção é provoca má gestão e aqui fica uma lição para quando por vezes pen­samos demasi­ado com o coração e menos com a cabeça.

Aqui fica um excerto do Texto pub­li­cado no suple­mento de Econo­mia do Público, a 28 de Novem­bro 2008

o Prob­lema foi o sangue roxo de Jerry Yang

Todos vocês sabem que eu tenho, e sem­pre terei, sangue roxo”. A afir­mação é de Jerry Yang e o roxo é a cor de marca do Yahoo, site que fun­dou em 1994 e de que foi pres­i­dente exec­u­tivo ao longo do último ano e meio.

A frase – parte da men­sagem que enviou em Novem­bro a todos os fun­cionários, no dia em que anun­ciou o aban­dono do cargo – é a sín­tese do que muitos con­sid­eram ter sido o grande erro: demasi­ado lig­ado ao Yahoo, Yang deixou-se levar pelos sen­ti­men­tos e fez tudo para fugir à pro­posta de com­pra com que a Microsoft avançou em Fevereiro.

Jerry Yang, 40 anos, faz parte da ger­ação que na década de 90 via (e, provavel­mente, ainda vê) a Microsoft como um gigante dom­i­nador da tec­nolo­gia. O Yahoo (tal como acon­te­ceu com o Google, poucos anos depois) nasceu numa lóg­ica de contra-corrente. Não sur­preende que o fun­dador estivesse con­tra a pos­si­bil­i­dade de vender a empresa ao império de Bill Gates, solução que era preferida por muitos anal­is­tas de mer­cado e muitos accionistas de refer­ên­cia, incluindo o mul­ti­m­il­ionário Carl Icahn, que chegou a ten­tar destronar a admin­is­tração de Yang.

Celso Mar­t­inho, fun­dador do Sapo (o maior por­tal por­tuguês, lançado em 1995 e assum­i­da­mente inspi­rado no Yahoo), con­sid­era que “finan­ceira­mente falando, é fácil con­cluir que a recusa da pro­posta da Microsoft foi um erro mon­u­men­tal de gestão”. Os números não enganam: a Microsoft ofer­e­ceu 31 dólares por acção (num total de 44 mil mil­hões). Hoje, e em parte arras­tadas pela crise finan­ceira, cada acção oscila entre os nove e os dez dólares.

O fun­dador do Sapo, no entanto, parece par­til­har a visão de Yang: “Emo­cional­mente, se é que é per­mi­tido usar a emoção para falar de negó­cios desta mag­ni­tude (e talvez tenha sido este o maior erro do Jerry), pre­firo a inde­pendên­cia do Yahoo. Fazem um tra­balho muito bom no campo da ino­vação e dos bons pro­du­tos de Inter­net e têm uma cul­tura única e uma imagem que gostaria de ver preser­vadas. Acho que a Microsoft ainda é a antítese disto tudo”.

A rejeição do negó­cio com a Microsoft não será o único erro a pesar na memória dos exec­u­tivos do Yahoo. O por­tal tem visto fugir a sua prin­ci­pal fonte de receitas – os anún­cios pub­lic­itários – para a mão da rival Google. Mas, num longín­quo 2002, o por­tal des­perdiçou a opor­tu­nidade de com­prar o motor de busca desen­volvido por Larry Page e Sergey Brin.

O outro erro

Em 2002, o CEO era Terry Semel, um exec­u­tivo vindo da Warner, que mal usava a Inter­net e que deixou pou­cas saudades aos accionistas. Page e Brin abor­daram o Yahoo em busca de uma injecção de cap­i­tal. Semel avançou com a pos­si­bil­i­dade de com­pra – mas achou que não valia a pena ir além de uma oferta de três mil mil­hões de dólares. Os dois jovens recusaram (o preço era uma bagatela, com­parado com a val­oriza­ção bol­sista que a empresa con­seguiu nos anos seguintes).

A pesquisa é vital nas con­tas do Yahoo e a ascenção da Google foi um golpe duro. Isto ape­sar de o por­tal ofer­e­cer dezenas de serviços difer­entes para além da busca. “A pesquisa é a aplicação-chave da Inter­net e é da maior importân­cia para qual­quer por­tal”, explica Celso Mar­t­inho. “Primeiro, pesquisar é de longe o que as pes­soas mais fazem na Inter­net e, segundo, a pesquisa é uma plataforma valiosís­sima do ponto de vista do negócio”.

Em poucos anos, o Google ascen­deu ao estatudo de motor de busca mais con­hecido do mundo e os seus pequenos anún­cios con­tex­tu­ais (em que o con­teúdo está rela­cionado com as pesquisas que o uti­lizador faz ou com as pági­nas que este visita) tornaram-se muito atrac­tivos para os anunciantes.

Outro prob­lema tem sido a difi­cul­dade em acom­pan­har a mudança. O Yahoo foi crescendo na lóg­ica do final da década pas­sada: ofer­e­cer todo o tipo de serviços e ser um ponto de entrada na Inter­net. Mas os tem­pos mudaram, observa o fun­dador do SAPO: “Os jardins fecha­dos, ou era dos con­teú­dos exclu­sivos e das téc­ni­cas clás­si­cas de retenção dos uti­lizadores, desapareceram”.

Volta Microsoft

No iní­cio deste mês, e ainda antes de se demi­tir, Jerry Yang já se tinha ren­dido: “Actual­mente, o mel­hor para a Microsoft é com­prar o Yahoo. Esta­mos à venda” – a declar­ação foi feita durante uma entre­vista numa cimeira de tec­nolo­gia em S. Francisco.

O prob­lema é que a Microsoft, pelo menos aparente­mente, desis­tiu do negó­cio. Mesmo que queira voltar a sentar-se à mesa com o Yahoo, é útil à gigante do soft­ware mostrar-se desinteressada.

No dia em que Yang anun­ciou a demis­são, as acções do Yahoo subi­ram quase 12 por cento, pelo meio de muita espec­u­lação sobre uma nova pro­posta de com­pra. No dia seguinte, a Microsoft declarou não estar sequer a pen­sar no assunto – as acções caíram 18 por cento.

Se muitos argu­men­tam que a Microsoft é a única saída viável para o Yahoo, Celso Mar­t­inho diz não ter tan­tas certezas: “Ninguém sabe exac­ta­mente o que é a Microsoft ia fazer com o Yahoo e ninguém con­segue dizer se a fusão ia criar valor ou destruir irre­ver­sivel­mente o maior por­tal do mundo”.

Nos últi­mos meses, o Yahoo ten­tou ainda uma injecção de cap­i­tal, através de uma parce­ria com a Google. O negó­cio faria com que esta pas­sasse a gerir a pub­li­ci­dade asso­ci­ada às pesquisas feita no por­tal. Era um “remendo”, clas­si­fica o fun­dador do Sapo. Só que as autori­dades reg­u­lado­ras amer­i­canas franzi­ram o sobrolho per­ante a pos­si­bil­i­dade de monopólio e adivinhava-se uma longa batalha legal. Mas, desta vez, foi a Google a recuar e dizer que o negó­cio, afi­nal, não valia a pena.”

Fonte:tec­nop­o­lis

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